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Eu sou o Samba

Quem é Boca Nervosa? O engraxate que virou ícone do samba e transformou solidariedade em presença

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Boca Nervosa

Do Boi da Cara Preta à Carretinha do Bem: a história de Boca Nervosa, o menino de Olímpia que fez do samba um ato de amor

Se você já ouviu samba de verdade em São Paulo, você já ouviu Boca Nervosa. Mas se você já sentiu fome e recebeu um prato quente no domingo, na rua, talvez também tenha sido tocado por ele.

Essa é a história de Edmar Marques Silva, o nosso Boca Nervosa. E ela começa muito antes do palco.

Nascido em 1962, em Pradópolis, e criado em Olímpia, no interior de São Paulo, ele soube desde cedo que a música faria parte da sua vida. Filho de um ferroviário da antiga FEPASA e de uma dona de casa que criou 12 filhos com as mãos calejadas e o coração gigante, Edmar foi ainda bebê para Olímpia e lá aprendeu a primeira lição que nunca esqueceu: o valor do trabalho.

Antes do microfone, veio a caixangraxate. Antes do aplauso, veio o sol quente da rua como jardineiro e como entregador de marmitas. Ele conhece o peso de uma quentinha na mão, porque ele já carregou muitas.

E foi com apenas 12 anos que o destino deu o primeiro sinal. Boca ganhou seu primeiro concurso de cantores interpretando “Boi da Cara Preta”, de Jair Rodrigues. Ali nascia um cantor. O menino que ganhou seu primeiro festival aos 12 anos se consagraria depois no samba com mais de 25 discos gravados, se tornando um dos compositores mais afiados e corajosos do país, com 33 anos de carreira satirizando com samba o que o Brasil vive.

O apelido? Boca Nervosa. Porque nunca teve medo de falar. Nunca teve medo de cantar o que ninguém tinha coragem de dizer.

Quando o trio elétrico virou carretinha

E é aí que a história desse artista se separa da história de qualquer outro artista.

No auge da pandemia, quando muitos se fecharam em casa, Boca fez o contrário. Ele pegou o que tinha de mais valioso, seu próprio trio elétrico, e o transformou em algo maior.

O projeto Carretinha do Bem foi idealizado pelo sambista Boca Nervosa, que transformou seu trio elétrico em uma carretinha para distribuição de marmitex para moradores de rua em situação de extrema vulnerabilidade social.

Hoje, o que começou pequeno distribui cerca de 600 marmitex da “Macarronada do Bem” por domingo. São 600 histórias. 600 estômagos cheios. 600 “obrigado” ditos com os olhos marejados.

Não é só comida. É dignidade.

Ao longo dessa caminhada, já são mais de 50 mil refeições distribuídas, cestas básicas para famílias que não tinham o que comer no dia seguinte, cobertores e roupas que viraram abraço no frio, ração para os animais abandonados que ele nunca esquece, e apoio firme durante os anos mais duros da pandemia.

Porque para o Boca, e essa é a frase que ele carrega no peito, solidariedade não é discurso. É presença.

Boca, essa é pra você

Boca Nervosa, se você está lendo isso agora, saiba: o Planeta Samba não está escrevendo apenas sobre um cantor.

Estamos escrevendo sobre o menino de Olímpia que nunca esqueceu de onde veio. Sobre o engraxate que hoje lustra a alma do povo. Sobre o filho da dona de casa de 12 filhos que aprendeu que dividir é multiplicar.

Você transformou letra em luta e palco em pão. Você provou que o samba, quando vem do coração, não termina quando a música acaba. Ele continua na rua, na marmita quente, no cobertor estendido.

Obrigado por nos lembrar que um artista de verdade não é medido pelos discos que gravou, mas pelas vidas que tocou.

O seu samba alimenta.

Instagram: @bocanervosa

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