Especial SP
“O dia que a Terra parou” é o enredo da Dragões da Real para 2021

Através da redes sociais, a Dragões da Real apresentou o seu enredo para o carnaval 2021. “O dia que a Terra parou” será desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira
A mente brilhante de Raul Seixas já projetava os dias atuais. Sua música hoje é fonte de inspiração para o nosso carnaval. Apesar de todas as adversidades, estamos aqui! Prontos para encarar todo e qualquer desafio! Prontos para fazer mais um grande carnaval! Viva o recomeço! Viva o carnaval 2021 da Dragões ! Renato Remondini – Presidente Tomate
A escola disponibilizou um texto explicativo sobre o enredo e a inspiração
O vai e vem da metrópole silenciou. Os semáforos já não faziam mais sentido. A orquestra de freios e buzinas já não estava mais ali. As cidades, sempre céleres, pararam. A rua esvaziou. Foi de súbito. Não foi combinado. Naquele dia, a Terra parou.
Pela primeira vez, em muito tempo, foi possível ouvir o barulho ensurdecedor do silêncio. O sopro do vento percorrendo os arranha-céus. Sem o intenso deslocamento, era possível ver cores antes escondidas pela pressa do dia a dia.
Pela primeira vez, em muito tempo, foi possível ouvir o barulho ensurdecedor do silêncio. O sopro do vento percorrendo os arranha-céus. Sem o intenso deslocamento, era possível ver cores antes escondidas pela pressa do dia a dia.
Sem ônibus lotados, sem carros amontoados pelas pistas: só a paz se impunha. O céu começou a revelar seu azul mais límpido, suave e brilhante. Da selva de pedra alucinante, brota a natureza valente. Ela sempre esteve ali: rompendo as frestas do asfalto, se esgueirando entre os canteiros. Agora é a sua vez. Ela ressurge nos ensinando que estamos ocupando a sua casa, e não o contrário. Ela nos ensina uma forte lição de resiliência e perseverança. A frieza do concreto se curva então à generosidade e ao acalanto do bosque, retomando seu lugar passo a passo: nas ruas e em nossos corações.
Ao olhar as arvores florescendo pelas janelas de nossos castelos de ferro e vidro, é possível perceber a força de suas raízes. É preciso, então, fortalecer as nossas próprias. Com as mãos, alcanço um antigo livro na prateleira da sala. A poeira do tempo revela que a rotina louca da civilização não nos permite o sabor da viagem que um livro pode nos proporcionar. A leitura é a grande oportunidade da vida de revirar as memórias impressas pelos grandes mestres e colher seus ensinamentos. A educação ganha uma nova dimensão e relevância. Cada capa de livro guarda dentro de si um universo infinito de possibilidades. O conhecimento partilhado por cada obra nos permite conhecer novos mundos. Ao caminhar por essas estradas imaginadas por cada autor, acabamos conhecendo um pouco mais de nós mesmos. E para isso acontecer, foi preciso a Terra parar: só assim nos permitimos olhar para dentro de nossas almas e viver novas vidas através das linhas deixadas por eles.
Nessa viagem de autoconhecimento, temos a chance de nos percebermos melhor. Sentir a alma e o corpo.
Ao olhar as arvores florescendo pelas janelas de nossos castelos de ferro e vidro, é possível perceber a força de suas raízes. É preciso, então, fortalecer as nossas próprias. Com as mãos, alcanço um antigo livro na prateleira da sala. A poeira do tempo revela que a rotina louca da civilização não nos permite o sabor da viagem que um livro pode nos proporcionar. A leitura é a grande oportunidade da vida de revirar as memórias impressas pelos grandes mestres e colher seus ensinamentos. A educação ganha uma nova dimensão e relevância. Cada capa de livro guarda dentro de si um universo infinito de possibilidades. O conhecimento partilhado por cada obra nos permite conhecer novos mundos. Ao caminhar por essas estradas imaginadas por cada autor, acabamos conhecendo um pouco mais de nós mesmos. E para isso acontecer, foi preciso a Terra parar: só assim nos permitimos olhar para dentro de nossas almas e viver novas vidas através das linhas deixadas por eles.
Nessa viagem de autoconhecimento, temos a chance de nos percebermos melhor. Sentir a alma e o corpo.
Reconhecer a nossa natureza interna, seja ela física ou mental. A calma vista pela janela começa a inundar nossas vidas. A fé ecoa em meio aos corações. A busca pela espiritualidade nos conecta à essência do que significa ser humano. A mãe Terra ensina todos os dias a importância de buscarmos mais qualidade, de darmos o tempo certo ao nosso corpo e de buscarmos a saúde permanente, num estilo de vida novo.
E diante desta pausa, a mente se sente livre para perceber o mundo de forma mais sensível. O coração se torna leve e finalmente temos o tempo certo para reconhecer a arte de viver. É ela – a arte – que enche de brilho a alma. Quando o ponteiro do relógio parou, tivemos então a oportunidade de nos emocionarmos com as melodias. Só assim conseguimos ouvir os acordes do violino, chorar diante da força de um monólogo; perceber as cores da tela. É através da contemplação da arte que alimentamos a esperança de um futuro mais harmônico.
E a harmonia aprendida com os mestres da arte nos leva a mais importante lição: não há paz de verdade se ela é restrita. Não há felicidade plena, se ela não é plenamente dividida com nossos iguais. O mundo parou, mas o amor não pode parar. É preciso fazer chegar esse bom sentimento a todos aqueles que precisam dessa chama em seus corações. Foi preciso silenciar o ronco dos motores para que pudéssemos perceber que tem alguém que mora na esquina da sua vida, na frieza de uma calçada. É preciso espalhar as boas lições aprendidas com esse momento. Mas não bastam os bons sentimentos.
E diante desta pausa, a mente se sente livre para perceber o mundo de forma mais sensível. O coração se torna leve e finalmente temos o tempo certo para reconhecer a arte de viver. É ela – a arte – que enche de brilho a alma. Quando o ponteiro do relógio parou, tivemos então a oportunidade de nos emocionarmos com as melodias. Só assim conseguimos ouvir os acordes do violino, chorar diante da força de um monólogo; perceber as cores da tela. É através da contemplação da arte que alimentamos a esperança de um futuro mais harmônico.
E a harmonia aprendida com os mestres da arte nos leva a mais importante lição: não há paz de verdade se ela é restrita. Não há felicidade plena, se ela não é plenamente dividida com nossos iguais. O mundo parou, mas o amor não pode parar. É preciso fazer chegar esse bom sentimento a todos aqueles que precisam dessa chama em seus corações. Foi preciso silenciar o ronco dos motores para que pudéssemos perceber que tem alguém que mora na esquina da sua vida, na frieza de uma calçada. É preciso espalhar as boas lições aprendidas com esse momento. Mas não bastam os bons sentimentos.
A vida ensina que todo esse aprendizado só tem valor se ele se transforma em atitude concreta. O grande ensinamento é a solidariedade. Nós aceleramos o mundo: com isso, tornamos ele muito desigual para aqueles que não conseguem acompanhar o ritmo frenético da nossa época, pois só nós podemos estender a mão para erguer todos aqueles que precisam.
No dia em que a Terra parou, nós pudemos respirar fundo. Aprendemos lições profundas. Fazer diferente daqui para frente, é com a gente mesmo.
No dia em que a Terra parou, o mundo, então, se tornou um lugar de gente feliz.
No dia em que a Terra parou, nós pudemos respirar fundo. Aprendemos lições profundas. Fazer diferente daqui para frente, é com a gente mesmo.
No dia em que a Terra parou, o mundo, então, se tornou um lugar de gente feliz.
Jorge Luiz Silveira
Carnavalesco
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