Carnaval RJ
Botafogo Samba Clube vai contar a história do Engenho de Dentro em 2023

Desenvolvido por Marcelo Adnet e Márcio Puluker, o enredo foi anunciado na feijoada da escola neste domingo
Em busca do acesso à Série Ouro, na Sapucaí, a Botafogo Samba Clube apresentou o seu enredo para 2023 na tarde deste domingo, 11. De autoria dos carnavalescos Marcelo Adnet e Márcio Puluker, “Pelos trilhos da história: Engenho de Dentro de lutas, batuques e glórias” vai homenagear o bairro do Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, que abriga a quadra alvinegra e o Estádio Nilton Santos.
A escola do torcedor botafoguense será a segunda a se apresentar pela Série Prata, na Intendente Magalhães, no dia 25 de fevereiro.
Conheça a sinopse
Pelos trilhos da história: Engenho de Dentro de lutas, batuques e glórias
1 – Desce o sol nas planícies douradas da Guanabara. Com o silêncio e a escuridão, o pajé se recolhe e a taba aquieta para mais uma das milhões de noites como todas as outras. Os batuques e rituais, as visões, a cultura de harmonia e respeito à natureza estavam ameaçados.
O homem branco aportou e nada mais seria como sempre. Trouxeram a cruz, a contagem do tempo, a ganância e o projeto de exploração de uma terra sagrada.
Os Tupinambás escravizados deixaram de herança os caminhos abertos pelos pés descalços e tantos saberes ancestrais: da pesca às ervas e plantas que compõem, até hoje, a subsistência dos brasileiros.
“Nhamandu ouare nhamaem (Quando vier Deus pai)
reve nhamonhendu mborai” (Estaremos todos a cantar)
Ressoava o canto de fé dos originários que ainda não foram aprisionados.
2 – O bárbaro projeto que chamamos de civilização segue com a chegada de mais escravizados, desta vez sequestrados além mar, arrancados do colo de sua própria terra. O temor que habita o olhar de indígenas e africanos se encontra e deságua dentro do mesmo engenho.
O edifício está de pé, a mão de obra segue farta, Portugal está contente: o engenho produz, com o amargo dissabor das mãos e vidas pretas, o ouro branco que adoça a boca do feitor.
“Ogum àgò fi rí rí (Ògun nos dê licença)
Ága dé lò wa de a o (Pedimos que saia de seu reino e venha nos encontrar para que possamos vê-lo)
Koró ba ga dá (Lá do alto ele nos ajuda)”
Ressoava o batuque dos pretos fugidos em uma serra perto do engenho, onde a fé se fez alforria.
3 – É 1873 e a pomposa realeza se reúne na gare luxuosa para a inauguração da Estação Engenho de Dentro. O Engenho que nomeia o bairro deu lugar à maior oficina de trens da América Latina. Os indígenas já quase não se viam e os cativos africanos continuam, séculos depois, entre a cruz e o pelourinho, a sustentar o luxo de um pequeno e poderoso grupo.
Escravizados, estrangeiros e brasileiros se misturam para abrir os caminhos de ferro com suor e sacrifício. Hoje, 150 anos após a inauguração da Estação, o requinte dos vagões se transformou, pois quem os frequenta são os filhos da falsa abolição, a classe trabalhadora.
Não há mais sinais das cantigas, a Serra dos Pretos Forros deixou quilombos e batuques na memória. O único som é o do trilho dos trens, do ferro e das máquinas, acelerando a suburbanização planejada para estas terras.
4 – Um senhor na calçada, de chinelo de dedo e cordão de São Jorge no peito, abre o portão de seu jardim para vender latões de cerveja na porta de casa. Em suas veias se misturam cantigas, pontos e preces. Cachorros latindo no quintal parecem anunciar que é dia de jogo no Estádio Olímpico Nilton Santos. A duas quadras dali, o sangue mestiço lota os vagões do trem, pulsando nas veias tantas histórias e gentes. Várias tribos urbanas colorem as praças gingando capoeira, dançando, cantando e festejando, celebrando o milagre da superação.
Entre igrejas e terreiros, prédios e barracos, botecos e ambulantes, as fachadas dos casarões coloniais nos lembram quem, de fato, construiu esse lugar. Virando a esquina pelas calçadas machucadas pelo tempo, um tambor ressoa e relembra a ancestralidade que paira nessas esquinas. A estrela em fundo preto infinito, que apontava a chegada das manhãs, hoje guia o otimismo deste novo orgulho do bairro, de gente que conhece a origem deste chão sobre o qual giram suas baianas. De portas abertas, a Botafogo Samba Clube se enche da força daqueles que construíram este lugar e adapta os versos de Jorge:
“Engenho de Dentro
Quem não sambar agora
Só no próximo ano
em pleno centro”
Assim ressoa o canto de fé dessa gente que acredita que os trilhos da história nos levam à Sapucaí.
Texto e pesquisa: Marcelo AdnetCarnavalescos: Marcelo Adnet e Márcio Puluker

Carnaval RJ2 semanas atrásPrimeira Edição do “Encontro de Sambistas” acontece neste domingo na Base do Samba
Cultura e Eventos3 dias atrásPor que o pagode virou um desabafo coletivo: quando a sofrência encontra o streaming
Noticias2 semanas atrásThiaguinho comanda a primeira sunset da história da FAICI
Entretenimento1 semana atrásAndré Rio e Carla Rio apresentam o show Forrósamba no Dia dos Namorados
Carnaval RJ2 semanas atrásEstilista Daniel Zarmanno assina figurino composto por mais de 500 chicletes para musa da Estácio de Sá
Carnaval1 semana atrásGato de Salto anuncia transição de gênero e inicia nova fase artística como Agata Fey
Musica e Youtube2 semanas atrásSom de Faculdade aposta em parcerias com Sorriso Maroto e Turma do Pagode
Entretenimento3 dias atrásFestival Futebol e Samba faz estreia de sucesso no Pacaembu durante a Copa do Mundo 2026











