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Carnaval

André Rio faz do frevo verbo, corpo e memória no clipe “E Tome Frevo!”

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O frevo não pede licença. Ele irrompe. Salta. Ocupa. E é com essa lógica , a do excesso vital, que André Rio apresenta “E Tome Frevo!”, videoclipe que chega ao público no dia 2 de fevereiro como quem abre alas para um Carnaval que é menos calendário e mais estado de espírito.

Antes de ganhar o fluxo das telas digitais, a obra encontra abrigo simbólico no Cinema São Luiz, em sessão especial no dia 31 de janeiro, 15h, Às margens do Capibaribe, no coração do Recife, o clipe se inscreve numa linhagem de imagens que não apenas mostram Pernambuco, mas pensam Pernambuco ,sua música, seu cinema, sua vocação para transformar rua em palco e memória em festa.

 

André Rio (Foto: Divulgação)

Dirigido por Helder Lopes, o vídeo não se limita a ilustrar a canção. Ele a expande. As ladeiras de Olinda, tomadas por cores, metais e passos, deixam de ser cenário para se tornarem personagens. Confetes não caem: flutuam. Sombrinhas não giram: desenham o ar. Corpos não dançam: desafiam a gravidade num diálogo ancestral entre a capoeira, o improviso e a alegria que resiste.

A letra de “E Tome Frevo!” opera como uma crônica cantada. Ao evocar o 9 de fevereiro , data simbólica do nascimento do frevo, a canção revisita a gênese do ritmo sem academicismo, costurando história e afeto, erudição popular e memória coletiva. O frevo surge como linguagem em permanente mutação: nasceu luta, virou dança, permanece gesto de liberdade.

O encontro com o grupo Destramelar reforça essa ideia de continuidade. A nova geração entra em cena não como herdeira passiva, mas como força ativa, arejando o coro, tensionando o presente e garantindo que o frevo siga respirando fora dos museus e dentro dos corpos.

Com produção executiva e curadoria de Fernanda Martins (FAMMAS), o clipe revela atenção minuciosa à estética e ao detalhe humano. Há beleza na arquitetura colonial, mas também nos rostos suados, nos olhares em êxtase, no passo aprendido cedo e transmitido sem manual. O frevo, ali, não é um espetáculo distante: é uma experiência compartilhada.

Na tela, André Rio aparece cercado por passistas de todas as idades, costurando tempos distintos numa mesma pulsação. Do Galo da Madrugada à quarta-feira de cinzas, o canto ecoa como afirmação identitária e gesto de pertencimento. Quando o refrão sentencia “Só em Pernambuco tem”, não há ufanismo , há constatação.

“E Tome Frevo!” é mais que um clipe. É um documento sensível. Um registro do agora que dialoga com o ontem e aponta para o amanhã. Um lembrete de que, enquanto houver rua, suor, sopro de metal , surdo, caixa, e corpo em suspensão, o frevo seguirá existindo , indomável, urgente e absolutamente vivo.

Ficha Técnica

Direção: Helder Lopes
Direção de Cena: Helder Lopes e Bernardo Valença
Direção de Fotografia: Marcelo Lacerda
Assistente de Câmera: Rodrigo Serafim
Edição: Bernardo Valença
Cor e Finalização: Pedro Queiroz
Direção de Produção: Kika Latache
Produção Executiva e Curadoria: Fernanda Martins (FAMMAS)
Coordenação de Produção: Maíra Lisboa
Assistência de Produção: Zeka Alves e Jorge Dias

Participação Especial: Dona Dá
Grupo Destramelar: Natália Soares (Diretora Geral) e Anna Miranda (Diretora Artística)
Banda: Pita Cavalcanti (Caixa), Temilson Cavalcanti (Surdo), Vertinho Góes (Trompete), Aldemar Filho (Trombone), Flávio Murilo (Sax Alto) e Thiago Thomaz (Sax Tenor)
Locação: Barraca de Zé Bento e Eriane Freitas
Apoio Cultural: Pitú

** Este texto e de extrema responsabilidade do colunista

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