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Você sabia que Miriam Alves, referência da literatura negra, é da Velha Guarda da União de Maricá?

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Foto: Ronaldo Reis

A escritora que o Brasil reverencia e que desfila na Velha Guarda da União de Maricá

Maricá tem um tesouro literário que muita gente talvez ainda não tenha percebido.

E ele desfila de branco, amarelo e vermelho.

Miriam Alves, escritora, poeta e uma das vozes fundamentais da literatura negra brasileira, é integrante da Velha Guarda da União de Maricá. Aos 73 anos, ela carrega uma trajetória que ultrapassa as fronteiras do samba e coloca seu nome entre os grandes representantes da literatura afro-brasileira.

Nascida em São Paulo, em 1952, Miriam integrou o histórico coletivo Quilombhoje Literatura e começou a publicar na série Cadernos Negros em 1982. Sua obra atravessa poesia, contos, romance, ensaio e dramaturgia. São 13 livros individuais, além de dezenas de participações em antologias nacionais e internacionais.

Foto: reprodução Instagram/ Miriam Alves

Passou por universidades e eventos no Brasil e no exterior, ministrou cursos de literatura negra brasileira nos Estados Unidos e foi homenageada na 5ª Bienal Internacional do Livro de Brasília, em 2022. Em 2024, recebeu o Troféu Ubuntu na categoria Potência Literária.

Mas existe uma parte dessa história que talvez ainda seja pouco conhecida até mesmo por quem frequenta o samba em Maricá.

Miriam é da Velha Guarda da União de Maricá.

E não está apenas de passagem pelo Carnaval.

Para 2027, ela colocou sua literatura também dentro da disputa pelo samba-enredo. Miriam Alves assina, ao lado de Fátima Moura, Evangelista e Ibiratan Pedroso, uma das 12 obras inscritas pela escola para o enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”.

É uma combinação quase perfeita.

De um lado, Darcy Ribeiro, o intelectual que sonhou um Brasil mais justo e consciente de sua própria identidade.

Do outro, Miriam Alves, uma escritora que há décadas transforma memória, identidade, ancestralidade e experiência negra em literatura.

Foto: Ronaldo Reis

E essa relação com Maricá não começou agora.

Em 2024, Miriam participou do Prêmio Rosas Negras, na Casa Darcy Ribeiro, com lançamento de livro e discussão sobre a invisibilidade das mulheres negras. Na mesma programação, estava a Velha Guarda da União de Maricá.

Miriam escreveu livros como “Mulher mat(r)iz”, “Bará na trilha do vento”, “Maréia”, “Juntar pedaços” e “Poemas reunidos”. Sua produção é estudada em universidades brasileiras e estrangeiras e ocupa um lugar de destaque na literatura afro-brasileira contemporânea.

E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa história.

Enquanto muita gente procura celebridades para representar a força de uma escola de samba, a União de Maricá tem, dentro da própria Velha Guarda, uma mulher cuja obra já atravessou livros, universidades, pesquisas acadêmicas e países.

Ela escreve sobre ancestralidade.

E também a carrega.

Ela escreve sobre memória.

E também a preserva.

Ela escreve sobre identidade.

E agora coloca tudo isso para cantar no samba.

Talvez Maricá ainda precise olhar com mais atenção para quem está dentro da própria casa.

Porque algumas histórias não precisam ser inventadas para virar notícia.

Precisam apenas ser descobertas.

E Miriam Alves é uma dessas histórias.

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